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Brasil Ride 24 horas - Espírito Santo tem time Campeão

Brasil Ride 24 horas. Um relato emocionante dessa prova épica de Mountain Bike. Brasil Ride 24horas. Pedimos, e a Catharina atleta Caveiras/Elite Bike Team gentilmente permitiu que publicássemos aqui o seu relato. Curtam esse texto informal e divertido, e que retrata muito bem o que é uma prova como essa.Equipe Capixaba Campeão do Brasil Ride 24 horas 2016

Brasil Ride 24 horas, Botucatu-SP

Nosso quarteto foi fantástico, de verdade. Alguns questionaram e alfinetaram que em quarteto seria muito mais fácil, pois tem o revezamento. Eu já achei que a responsabilidade é tão grande quanto de quem corre solo, você não se preocupa só com você, se preocupa como seus parceiros também.

Eu vivi minhas emoções e as deles, as preocupações e tensões, simplesmente não dá para desligar.

Essa prova foi incrível para mim, a bagagem que eu trouxe de lá vai me acompanhar por muito tempo.

Volta de Reconhecimento

Na volta de reconhecimento eu fiquei muito receosa, o percurso parecia um bicho papão, fiquei toda travada, cai algumas vezes, empurrei outras tantas, só pensava: TO NO SAL! Acho que até minha equipe ficou preocupada hahaha. Deus, como eu rezei.

Largada

Hora da largada, lá vai nós… eu tinha que correr a pé o quarteirão todo para pegar minha bike, todo mundo me falando alguma coisa antes de largada, todo mundo na euforia. Cada vez que eu olhava para os olhos de Eudeth minha barriga embrulhava kkkk.

O Xerife tentou me acalmar com algumas palavras, eu não escutava nada, meu coração estava batendo tão forte que eu só ouvia os tuns tuns, sentia a garganta seca, as pernas bambalearam na corrida, só me preocupei em não ser atropelada.

Perdi algum tempo procurando minha bike e colocando o garmin, isso tudo era novidade, nos esquecemos de alguns detalhes, mas deu tudo certo.

A primeira volta

Iniciei minha primeira volta já na segunda posição, a adversária me passou ainda na corrida a pé, o objetivo era fazer essa volta sem arriscar, me machucar no começo da prova não seria bom.

Eu estava com muita adrenalina no sangue, o bicho papão virou pulguinha, a pista nem parecia a mesma do dia anterior, passei por quase todos obstáculos que nunca imaginei conseguir, outros tive que empurrar, acho que muitos empurraram nesses… fui me sentindo cada vez mais confiante, de repente eu estava brincando, achando a maior graça de mim mesmo.

Cheguei com 3 minutos de diferença da primeira colocada, minha equipe vibrou muito com a primeira volta, me senti mais feliz ainda, passei a vez para Siqueira que com certeza tiraria a diferença.

Segunda Volta

Deu 1:00 de prova de Eudeth e já fiquei preocupada, pois pelo menos eu esperava que ela chegasse uns 5 minutos antes de mim, eu já aguardava ansiosa na área de transição, eis que surge ela empurrando a bike, correndo, ofegante.

Foi muito ruim abrir a volta sem saber o que tinha acontecido, não dava tempo de perguntar. Eu fiz essa volta preocupada demais.

Com isso tentei forçar onde deu para não perder tempo, empurrava onde não dava arriscar, consegui melhorar um pouco na subida que tinha no final, fiz minha melhor volta com 58 minutos.

Terceira Volta, a noite

Na volta da noite só me lembrava dos dias de pedal no Quinta Bike, giro da quinta e outras furadas que já me meti kkkkk.

Como foi importante ter vivido essas experiências antes, por conta disso não senti medo hora nenhuma. Único medo era a bateria da lanterna arriar, fiquei sozinha na pista quase a volta toda. Ah, tinha sapos, muito sapos fazendo aqueles barulhos estranhos, coitada de Eudeth, ia tomar um susto.

Fiz a volta com um tempo que eu considerei bom, já que era a noite, 1:02.

Quarta Volta, a noite

Essa volta também foi tranquila, porém o cansaço tinha chegado, as pernas estavam pesadas, tive que fazer muita força para não deixar cair o ritmo. Meu tempo foi 1:03 nessa volta, passei para Eudeth e fui para o hotel descansar.

Descanso

E quem disse que eu conseguia dormir? Fechava os olhos só pensando na hora que tinha que voltar, em como estava o pessoal lá, toda hora falando no celular com o pessoal, preocupada com Thiago e Tarcizio que não tinham dormido ainda… Quando Taz veio descansar eu não consegui mais dormir e voltei para lá, 4:30 da manhã.

Ultima Volta Brasil Ride 24 horas Botucatu

Na minha última tínhamos uma diferença considerável. Mesmo assim eu não queria dar bobeira, ainda não tinha acabado, muita coisa poderia acontecer, era apenas 6:00 da manhã.

Pista extremamente escorregadia por conta do orvalho, muita lama em alguns trechos, empurra bike. Reflexo alterado, nenhuma queda, mas muitas quase quedas… Pernas pesadas… Era meu fim, kkkkk estava totalmente golarizada, mesmo assim fiz tempo bom, 1:02.

Bom, foram 24 horas intensas, estou muito feliz com nosso feito, por mais que eu tente descrever me faltará palavras.

Eu gostaria de agradecer primeiramente a Deus, que nos permitiu viver tudo isso, nos levou e nos trouxe em segurança. Aos nossos queridos apoios, agradeço de coração, Taz, ( mô te amo muito, obrigada pela paciência.) Thiago Vargas ( Sem palavras, vc é doido de pedra) Maria do Carmo, (sandubas tops, não parou de comer e também não deixou a gente parar. ) Keila e Maria Clara ( que nos ajudou como pode, registrou nossos momentos, Maria um show de risadas).

Agradecimentos

Agradeço a torcida dos nossos amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos, foi muito bom e incentivador. Aos meus super parceiros, meu quarteto Golático, fantástico, adorável Eudeth Possato, Paulo Cesar M. Jeveaux, Éverton Siqueira, vcs são demais. Aos nossos apoiadores Thais Siqueira, Cristiano da Elite Bike Vix, aos treinadores que estive e estou até aqui, Renato Marinho RTreino e Cris Silva.

Um agradecimento especial ao querido parceiro de treino, com quem tenho aprendido muito. Sempre disposto ajudar e passar tudo que sabe, a voz da experiencia, Sergio Guberman.

Obrigada!

Edu Cara de Barro
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Edu Cara de Barro

Um pouco cansado disso... Não das histórias, da vivência e do esporte. Mas do que o mercado se tornou. Sigo firme em meu proposito de "Criar Histórias e Experiências Positivas com a Bike" como um ciclista, escritor e desgourmetizador de pedal.