Diverge Specialized 2021. Reviews de 1.000km. Foi Aprovada?
A Diverge 2021 da Specialized foi aprovada no reviews de longa duração do Mountain Bike Brasil? Vale a pena comprar a nova geração de gravel bike Specialized?
Não sei exatamente os números oficiais, mas acredito que a Specialized seja lider mundial em vendas no segmento de gravel bike. Pensando assim, me ocorre: Porque mudar radicalmente uma bicicleta que já era excelente e se arriscar num projeto novo, especialmente na geometria?
Inovar ou morrer, esse é o lema da fabricante americana Specialized, líder mundial na fabricação e vendas de bicicletas. Dentre acertos e erros, qual é a relação real entre a inovação e o desejo de lançar novos produtos? E o mais importante, a nova Diverge 2021 é mesmo uma bike melhor que a sua segunda geração lançada em 2019?
Teste (reviews) 1.000km da Diverge Specialized 2021. Versão S-Works
Assim como em outros reviews, nos realizamos testes de longa duração com a Diverge S-Works 2021. Rodamos desde trilhas técnicas, singletracks, asfalto, estradões, e nas piores rodovias possíveis. Levamos a Diverge até mesmo para as margens da Estrada de Ferro Vitória x Minas, um verdadeiro calvário para qualquer bicicleta - até mesmo para mountain bikes.
Foram mais de 1000 quilômetros rodados em escaladas de serras com subidas de mais de 20 quilômetros, pedais de mais de 150 quilômetros sob chuvas fortes e dois longões de mais de 200 quilômetros. Pedalei em grupos com mountain bikers, em pelotões nervosos de speed e usei a bike em alguns treinos intervalados no asfalto, fazendo as vezes de uma road bike.
Além disso, uns bons pedais com outros ciclistas que também pedalam em bicicletas de gravel e especialmente nas mesmas rotas em que já testei outras bikes de gravel. Tudo isso para trazer o melhor resultado para vocês.
Enfim, rodamos de verdade na gravel bike topo de linha da Specialized, e por tanto consideramos que o teste foi bem executado. Fomos fundo na relação com essa bicicleta e examinamos seu comportamento nos mínimos detalhes.
Critérios Avaliados no teste da Diverge 2021 Specialized
Como de costume aqui no Mountain Bike Brasil, avaliamos os principais pontos de uma bicicleta, dessa forma, criamos uma sequencia lógica para a leitura. Dessa forma, os apaixonados por bikes e os interessados na bicicleta avaliada podem identificar mais rapidamente os pontos principais de seu interesse.
Dessa forma, sobre a Gravel Diverge 2021 da Specialized falaremos de:
- Geometria;
- Pilotagem e comportamento;
- Conforto;
- Componentes;
- Peso;
- Diferenciais;
- Prós e Contras;
- Conclusão final.
A Geometria da nova Diverge Specialized
Imaginar uma bicicleta nova, com todos os pontos fortes e as principais características de sucesso numa bike deve ser fácil. Difícil deve ser juntar tudo isso, transformar numa bike real e ficar bom.
O que eu quero dizer é que na vida real, nem sempre o casamento do toptube mais longo, com a traseira mais curta deixara a bike mais confortável e responsiva. Na verdade, existe mais chance desse casamento dar errado do que certo.
Certamente, na construção de um projeto novo, as marcas investem muito tempo e dinheiro. Num constante monta e desmonta de partes até que esse conjunto se “encaixe”. Já adianto, a Specialized fez isso e muito mais na nova Diverge, e deu certo!
Há quem diga que para a Specialized isso é fácil, pois ela tem a sua disposição um estúdio de construção de quadros em carbono na sua sede em Morgan Hill, Califórnia. Eu gosto de pensar que é mais fácil porque ela investiu no estúdio próprio para testes dos seus protótipos.
Semânticas a parte, a verdade é que com essa estrutura, existe mais liberdade para a realização de testes em novos formatos nos frames de seus projetos.
Toptube mais longo, mesa mais curta
A Diverge está com um top tube mais longo, o que favorece o conforto, algo desejável numa adventure bike. Mais ainda, o tubo superior mais longo trouxe mais estabilidade e uma posição de pilotagem que cria mais confiança nas descidas. Essa posição ainda recebe um reforço de uma mesa mais curta, que coloca o ciclista ainda mais atrás nas descidas.
A mesa curta, foi uma solução providencial, já que um top tube com uma mesa longa, e agora entenda longa como a mesa de tamanho normal que você usaria em outras bikes, a gravel bike Diverge inevitavelmente ficaria “sonsa” ou com uma pilotagem nada empolgante.
A mesa mais curta neste caso, deixa o ciclista com uma bike muito mais arisca e ágil na pilotagem, o que cria aquela sensação de “bike na mão”.
Triangulo traseiro ainda mais curto na Diverge 2021
Triângulos menores parecem ser uma tendencia, não só nas bicicletas de gravel, mas em road bikes e nas mountain bikes também. Entretanto, o comportamento mais ágil e responsivo de uma bike com o triangulo mais curto não foi algo descoberto agora.
Acontece que a pouco tempo atrás era 8 ou 80, ou você tinha uma bike absolutamente ágil e seca, ou uma bike confortável.
Mas o que mudou então? Na verdade foram os materiais que evoluíram e hoje permitem uma traseira menor. Engenheiros podem ousar mais em seus projetos, já que os compostos de carbono e alumínio atuais permitem muito mais flexibilidade para isso.
O carbono por exemplo, evoluiu ao ponto de permitir mais absorção de impactos sem a perda de durabilidade. E pode ser ainda mais rígido se assim o projeto exigir. É por isso que atualmente os projetistas possuem mais liberdade criativa para criarem com menos limitações mecânicas.
É o caso do chainstain da Diverge 2021, que incorporou uma barra solida de carbono, fundamental para que a bicicleta pudesse calçar pneus mais largos, e tivesse uma roda ainda mais próxima do centro da bicicleta. Mas acima de tudo, sem que essa inovação comprometesse a pilotagem ou a durabilidade da peça.
Notei que o triangulo novo mantem a responsividade da bicicleta e percebi mais aceleração em arrancadas. É algo sutil, mas que pode certamente poupar alguns watts do ciclista.
E sobre isso, cheguei a conclusão: Mesmo que o ganho tivesse sido pequeno, ou mesmo nulo, o fato de que agora a Diverge 2021 pode calçar pneus de até 47mm com a configuração atual de rodas já valeria o esforço dos engenheiros.
Um ponto negativo nisso, é que no meu caso, o meu pé esquerdo pega insistentemente na barra. Precisei protegê-la para não danificar o quadro e a pintura e a minha sapatilha perdeu alguns pontinhos de costura. Acredito que isto está acontecendo exatamente porque a traseira mais curta trouxe seu ponto mais largo (próximos aos eixos) para perto dos pés do ciclista.
Ela continua a ser uma grande escaladora?
Definitivamente a bike de gravel da Specialized não perdeu uma das suas características que mais me impressionou. Especialmente em subidas longas e baixa inclinação, a bike é uma excelente escaladora. É muito fácil encontrar um passo e mantê-lo neste tipo de subida, realmente a geometria foi acertada em mais este ponto.
Nas subidas de média a altas inclinação a bicicleta se comporta muito bem, responde super rápido na pisada e não deixa o ciclista perder potência com torções. Realmente foi onde senti o quão rígido esse quadro pode ser.
Pneus mais largos ou mais espaço
Talvez o melhor dessa mudança seja exatamente a capacidade de calçar pneus mais largos da nova Diverge. No caso da S-Works, que digo ser a puro sangue de corridas na linha de bicicletas de gravel da marca, esse ganho em arrancadas é precioso. Mas para as demais Diverges isso nem de longe é algo para se jogar fora.
Uma bicicleta de gravel que pode chegar a calçar pneus até 47mm com a roda original e até 2.1 com rodas 650B, vai atrair a atenção de muitos graveleiros experientes. Sem duvidas!
Usando os pneus Pathfinder 38mm eu senti muito conforto e uma boa relação com as curvas e descidas. Tenho algumas ressalvas sobre estes pneus, mas nada que comprometa.
Ok Edu, poder calçar pneus mais largos é bacana, mas não penso em usar pneus de MTB numa bike de gravel. Se pensou isso, compreendo perfeitamente e também, pelo menos até o momento não penso em calçar “botas” na gravel. Contudo, essa liberdade para escolher pneus mais largos trouxe um **ganho indireto **para a gravel da Specialized.
A Diverge agora pode encarar com muito mais eficiência as subidas ou trechos lamacentos. Seu espaço generoso permite que você passe por locais com muita lama sem travamento. E a isso damos graça!
No vídeo, Gravel Extremo, demonstro numa situação real como a gravel da Specialized **encara e supera **uma subida técnica com muito barro. Pra mim, um teste real seria revelador, e a Diverge 2021 passou com louvor. Na verdade com folga, especialmente diante de modelos de gravel de uma marca congenere.
O vídeo já está na posição exata da lama. Assista e confira!
Em dois bikepacking com a Diverge 2019 eu precisei parar para remover a lama do quadro, bem ali no triangulo, entre o pneus e o seat tube e no garfo. Não comprometeu o pedal, o mesmo já aconteceu no mesmo lugar com a minha MTB.
Na versão 2021 da gravel Diverge, esqueça isso, ela assimila o golpe e atropela, ponto!
Offset maior, ganho nas descidas técnicas de baixa velocidade
Como disse, algumas coisas nessa bike não dariam certo sem muitos testes, engraçado que agora, lançada a nova Epic Race, noto que a marca tem investido muito em horas e horas de testes. De fato, combinar algumas coisas exigem experimentação, mas acima de tudo, coragem para quebrar a resistência dos ciclistas, especialmente os mais antigos.
Dentre essas alterações está o aumento do Offset do garfo, deixando a bike mais confiável nas descidas e mais estável também. Particularmente, senti mais confiança em descidas técnicas com a bike em baixa velocidade. Tive a sensação de que ela supera raízes e pedras mais facilmente em relação a versão anterior.
No vídeo abaixo, postado no meu Instagram (@educosta.mtbbr) podemos ver a bike subindo um trecho muito técnico aqui da minha região. E ainda, a descida do single de Queimado, com uma inclinação considerável e com trechos de alta e baixa velocidade no mesmo segmento.
https://www.instagram.com/tv/CABUvQJJ02z/?utm_source=ig_web_copy_link
Nas descidas de média velocidade, senti mais confiança após algumas descidas, o novo angulo realmente favorece e com uma pegada no drop, já adaptado a gravel você vai descer melhor.
Nas pirambeiras, não tem jeito, por mais que a geometria trabalhe, os pneus perdem o poder de frenagem devido a pouca superfície de contato com o solo. Nada que comprometa o pedal, na verdade é só uma questão de escolher a rota, ou, se surpreendido descer com cuidado. A habilidade técnica de cada ciclista também vai impactar nisso, mas na real, senti que esse é um ponto fraco natural dos pneus e não da bicicleta em si.
A Gravel bike Diverge S-Works é veloz?
Pois bem, agora é que a coisa fica séria. Mas prometo que não vou enrolar, até porque eu posso fazer essa comparação com muita segurança. E porque?
Sempre tive o habito de criar percursos de treinos e de testes de performance para mim. Alias, é algo que recomendo para todos que buscam pedalar mais rápido e ficaram mais eficientes para provas ou longos passeios. Desde cedo, aprendi que o que não é medido, não pode ser comparado, e ponto!
Para testar a velocidade da Diverge 2021 resolvi usar o meu circuitinho “Pão com Linguiça”. Ele tem rodovia, tem estradão, tem subidas médias e curtas com muita inclinação. Também tem um singletrack e passa pelas margens da Estrada de Ferro Vitória x Minas.
No total são aproximadamente 55 quilômetros com cerca de 500 metros de altimetria. A meta é fazê-lo em esforço aeróbico e abaixo de 2 horas. Consegui baixar o tempo de de 02:11:33 (Lapierre XR729 Team Edition Full Suspension) para **02:00:01 **com a Diverge 2019.
Com a Diverge S-Works 2021 o tempo caiu para menos de duas horas, fechando em 01:52:17.
Definitivamente a bike é mais rápida, bem mais rápida. E comprovei isso por números e acima de tudo por percepção, ou seja, me sinto mais rápido com a Diverge 2021 em relação ao modelos 2019. Também em relação a outra gravel do mercado, como também sobre a minha mountain bike full suspension full carbon.
Diverge 2021
Diverge 2019
Pilotagem e comportamento da Diverge 2021
Senti a Diverge 2021 mais próxima de uma road bike de endurance do que de uma mountain bike, muito mais mesmo. E sobre essas comparações, esse é o único momento deste texto em que você me verá fazendo isso.
Acho bem estranho, pra não dizer outra coisa, essas comparações entre road bike x gravel bikes, ou sobre gravel bikes x mountain bike. E por ai vai!
Portanto, prefiro pensar que: assim como em outras modalidades, existam bikes voltadas para descidas, outras projetadas para serem escaladoras, assim como, bikes mais engajadas em trazer mais velocidade para o ciclista.
Bom, disse tudo isso para expressar o seguinte: Uma bicicleta de gravel pode ser mais rápida, sem que necessariamente esteja se tornando uma bike de speed. Ou, pode ser melhor de subidas, sem que esteja copiando a geometria de uma mountain bike hardtail.
Uma gravel mais rápida, é simplesmente uma gravel mais rápida. E é só isso! Os construtores não estão criando road bikes parecidas com gravel, as mountain bikes não estão copiando as bikes de endurance, ou vice e versa. O que estamos vendo, são simplesmente bicicletas com características mais proeminentes em determinados terrenos e situações.
É por ideias como essa, que me reservo o direito de não consumir qualquer material semelhante sobre o objeto do teste. Sempre fiz isso e considero que para mim funciona muito bem. Dessa forma, consigo transmitir exatamente o que senti sobre o objeto testado desde o primeiro contato e evito contaminações nas minhas sensações mais distintas sobre o mesmo.
Enfim, perdão por me alongar. A Diverge está na minha opinião mais racing, e veloz, definitivamente. Usei um tamanho que casou muito bem com meu bikefit, por isso não senti dores ou incômodos e a pilotagem sempre foi natural.
Não me peguei em momento algum fazendo malabarismos para curvar a bicicleta em ambientes estreitos ou coisa do tipo. é uma bicicleta manobrável, versátil e boa de estrada.
Se gravel bike é confortável? Nem todas, mas essa sim
Dizer que a Diverge 2021 é menos confortável que a Diverge 2019 seria uma injustiça. Isso daria a entender que ela não é confortável, e isso não é verdade.
A frente mais baixa, em partes pela geometria e, em outra pelo Future Shock versão 1.5 mais alto que equipa a sua antecessora, da a Diverge 2021 uma impressão de bicicleta mais racing. E como sabemos, bikes racing não rimam conforto.
Contudo, isso fica por ai, já que o Future Shock 2.0 com a regulagem de tensão no guidão, deixa a bike com uma leitura superior a versão anterior. Além disso, a praticidade de comutar a intensidade da absorção com um simples giro no botão sobre a mesa é algo realmente inovador.
Se antes, o ciclista deveria escolher entre três tipos de molas - hard, medium e soft, para determinar o quanto o sistema absorveria das vibrações e dos pequenos impactos, agora ele faz isso a medida que o terreno muda a sua frente no caminho. Achei isso fabuloso e igualmente encantou a todos os ciclistas que interagiram com o sistema dessa bike.
O garfo é muito parrudo, mas definitivamente ele facilita o trabalho do Future Shock. Feito em carbono Fact 11 na S-Works, trás o DNA Specialized na construção de componentes eficientes e duráveis.
O canote proeminente possibilitado pela traseira menor que expõem mais o seat tube, também trabalha bem. Nesta bicicleta de gravel testei com um canote retrátil. Mas fiquei curioso para saber como um canote de carbono ajudaria ainda mais no conforto, se encarregando de remover o que sobrasse das pequenas vibrações que numa longa distancia vão nos minando.
Sim, achei a versão 2019 mais confortável, mas longe de mim dizer que a Diverge S-Works 2021 não foi aprovado no teste de conforto. Afinal, fiz dois pedais com mais de 200km com essa bike e me preparo para um bikepackig para a Costa do Descobrimento na Bahia com ela.
Componentes da Diverge S-Works. Encantadora em cada detalhe
É uma S-Works, então não esperamos menos da Specialized. E a marca americana mais uma vez fez bonito em sua linhagem de puro sangues. A Diverge S-Works parece ter sido montada por uma criança. É como se ela brincasse alheia a valores e só escolhesse os componentes para montar a bicicleta dos sonhos.
A gravel S-Works da Specialized é uma bicicleta que pede um segundo olhar, desde o detalhe dourado escondido no eixo passante até o preciso e afinado grupo Sram AXS, composto pelos passadores e sistema de freios Sram RED, bem como o pedivela em carbono da mesma linha. Além dissso, o robusto cambio eletrônico XX1 AXS que garante a capacidade do sistema de girar em qualquer terreno.
O pedivela, com uma coroa vem com 42 dentes combinou muito bem com o K7 10/50 dentes XX1. Com essa transmissão rodei com pelotões agressivos de speed e também fiz longões em rodovias.
E sobre isso, minha única ressalva é: Um ciclista bem treinado tenderá a usar somente os cogs menores do K7, por tanto, diminuindo consideravelmente a vida útil do sistema, especialmente se este ciclista roda algo em torno de 70% asfalto e 30% terra. Se estes 30% de terra foram mais planos, o desgaste acontecerá ainda mais cedo.
Vale lembrar, que essa relação pode ficar um pouco pesada para alguns ciclistas, afinal 42 na coroa com 50 dentes no K7 não é lá tão amigável em subidas ingrimes. Mas afinal, como já disse, S-Works é sinônimo de puro sangue de corridas e além do mais isso pode ser trocado. Tanto é que a Specialized deixou um ponto de fixação para cambio dianteiro nesta bicicleta.
Gostei muito do canote retrátil, consigo entender que ele é algo útil e usei-o por diversas vezes. Mas para minha região, confesso que não seria algo que manteria nessa bike. Imaginei, como já disse um canote de carbono mais leve e mais funcional para essa maquina. Além dele absorver algumas vibrações, ainda emagreceria umas 200 gramas fácil.
Freios SRAM RED hidráulicos
Os freios SRAM RED são realmente muito responsivos e a modulação é comparável com o que existe de melhor no mountain bike. Mesmo com mais de 1000 km rodados, as pastilhas ainda suportam mais alguns quilômetros em boas condições.
Talvez, se não fosse este pedal (vídeo abaixo) elas durariam muito mais. Na verdade, toda bicicleta foi muito exigida nesse longão que aconteceu sob as piores condições possíveis. Em todo caso, pesquisei sobre as pastilhas de freio e não tive dificuldades para encontrá-las por aqui. Isso é bom!
Me arrisco a dizer que os freios são até superdimensionados, ou seja, poderiam frear uma bike muito mais pesada sem grande dificuldades. Em matéria de freios, a Diverge S-Works 2021 está bem servida demais.
Selim Power S-Works
Falando rapidamente do selim, confesso que pensei que fosse sentir um pouco. Uso um Power Comp e estou muito habituado com ele, porém, o selim mais duro e seco da versão S-Works não me trouxe desconforto. Sinto um pouco mais seco, é verdade, mas nada que realmente comprometa a experiencia, mesmo nos pedais longos.
Rodas de Carbono CLX Terra
Elas não são as rodas CLX padrão, tão pouco são rodas de mountin bike numa bicicleta de gravel. As rodas CLX Terra parecem terem sido feitas especificamente para o gravel, pro estradão e para o pior asfalto que o ciclista puder se lembrar.
São leves, rápidas e giram muito. Não se ouvi ruídos típicos de rodas de carbono torcendo, especialmente nas retomadas em pedaladas em pé. No meu circuito de treinos e testes isso é recorrente, são 6 quilômetros por volta, então as retomadas são normais.
Realmente achei estas rodas muito equilibradas, e combinaram muito bem com a bicicleta. Esse novo projeto de geometria da Diverge precisava de uma roda versátil e capaz de encarar qualquer terreno. Seria muito fácil colocar uma roda super robusta e resistente, isso já agradaria a maioria dos ciclistas, mas aqui, não foi mesmo o que aconteceu. Eles capricharam de verdade e a roda é simplesmente linda.
Encontraram uma roda capaz escalar terrenos técnicos, ao mesmo tempo que não torce em descidas de serras em altas velocidades, e como já disse, a roda flui bem na estrada, garantindo boa velocidade para a Diverge.
Com tudo isso, a Diverge S-Works 2021 pesa pouco mais de 8.3kg!
Com um quadro que pensa menos de 1000 gramas no tamanho 56, a Diverge S-Works poderia se apresentar como uma road bike tranquilamente. Alguns desavidados não notariam que se trata de uma gravel bike se observassem somente o peso.
O carbono Fact 11 da Specialized é capaz de trazer leveza e rigidez na medida certa e por já ter sido muito testado antes, transmite confiança ao ciclista. Nas demais versões, como na Diverge Comp e Expert o carbono é o Fact 9, que a pouco tempo era usado nas bikes de topo da marca americana.
Com tudo que tem direiro, as bolsinhas do Swat e pneus com câmara de ar a bike pesa incríveis 8.3kg no tamanho 56. Ela impressionou todos os meus amigos que, naquelas pausas do pedal pegavam elas nos braços para sentir o peso.
Diferenciais da Diverge 2021
Acho que se precisasse responder rápido, eu e muitos outros ciclistas diriam que o maior diferencial é o Swat interno. E é mesmo! Para mim, andar com as costas livres e sem bolsinhas foi um avanço em conforto, aerodinâmica e no visual da bicicleta.
Mas se fosse só isso, talvez a coisa não tivesse vingado. Testado em outras bicicletas da marca, o Swat interno Specialized além de útil é verdadeiramente fácil de usar.
Em segundo lugar, daria destaque para o Future Shock 2.0, sem duvidas poder ajustar a forma como o amortecedor de direção responde ao terreno, ali, a frente da sua mão é um grande avanço. Mas acima de tudo é um diferencial e tanto frente as concorrentes.
Andei em mais de um modelo de gravel bikes, de nacionais a importadas e sim, elas vão muito bem, mas em certos terrenos extremos, por exemplo as margens da linha de trem da estrada de ferro Vitória x Minas o Future Schock faz muita falta.
Os vários pontos de fixação para caramalholas ou porta objetos é outro grande diferencial. Apesar da inclusão do Swat interno neste modelo, a Specialized resolveu manter os pontos de fixação abaixo do down tube, por exemplo. Isso é muito válido no caso de viagens mais longas onde mais ferramentas seja uma necessidade. Além deste, criou um bem no top tube, próximo a caixa de direção, bem providencial também.
Além disso, a bike continua a trazer os pontos para bagageiros, mesmo na versão S-Works e para estes e pros demais pontos, a marca criou uma linha completa de acessórios, casadinhos com as especificações da bicicleta.
Prós e Contras da Diverge S-Works 2021
Tarefa sempre difícil, pontuar os pontos positivos e negativos de uma bicicleta. Difícil, pois em muitos critérios temos a carga da opinião pessoal envolvida. Mas adiante!
Prós
- A geometria nova é algo muito positivo, a bike melhorou muito, você sente desde as primeiras pedaladas;
- Future Shock 2.0
- Swat interno;
- Preparações para bagageiros e caramanholas extras;
- Espaço entre a estrutura do quadro e os pneus;
Contras
- Posição da caramanhola do seat tube muito baixa, isso dificultou o saque rápido da garrafinha (bike tam 58);
Conclusão final. Veredito sobre a Diverge 2021 da Specialized
A transformação da Diverge foi algo incrível, a bike renasceu e a marca teve coragem de lançar um sucesso sobre outro. Gostei tanto de andar na Diverge 2021 e para a mim a experiência foi muito boa.
Ela mantem o espírito aventureiro que uma boa bike de gravel deve ter, mas trouxe um impeto mais agressivo a linha. Montando uma bike assim, o ciclista tem muita diversidade para explorar e para muito, ora por espaço, ora por simplicidade, essa pode ser a bike definitiva.
Apesar de ter me faltado uma prova com essa bike de gravel, não me restou dúvidas a cerca da sua desenvoltura num embate com outras bicicletas. Por hora, me sobram os testes de campo e os pedais agressivos no pelotão com as road bikes para confirmar isso.
Nas aventuras, a bike não deixou a desejar e me trouxe satisfação, confiabilidade e segurança. Uma bike avançada e moderna, mas com um comportamento e manutenção simples. E isto é o ideal neste tipo de bicicleta, penso eu.