Sense Invictus. Full Suspension 29 - Reviews
Sense Invictus? Temporada 2017 já vai começar e aposto que está todo mundo treinando. Muitos também devem estar se equipando de bicicletas novas ou fazendo up grades.
Pra este Xerife não seria diferente, treinos de base em andamento logo após 02 semanas de descanso que terminaram no natal e incorporando ao arsenal uma nova MTB.
Por: Everton Siqueira - Xerife
O Namoro
Desde meados do ano passado já vinha cogitando ter a mão uma MTB aro 29 Full Suspension. Pesquisei várias marcas e modelos e uma em particular me atraiu face os releases positivos e comentários de vários ciclistas que se impressionaram ao testá-la.
Após um contato com o meu amigo Tião Silva Bike que me deu uma baita moral este fez o pedido da Sense Invictus e intermediou junto ao Marcone Andrade - Representante LM BIKE distribuidora oficial da marca - o qual deu outra moral e conseguiu antecipar a entrega da minha nova MTB. Uma Sense Invictus Full Suspension 29.
Recebi a Bicicleta no dia primeiro de dezembro. No dia seguinte dei início aos testes com ela toda original, instalei apenas os pedais.
Em seguida fiz alguns up grades e trocas de pneus para comparação com o original. Sempre testando muito após as mudanças. Após mais de 500 km pedalados em 16 pedais acredito que posso fazer uma boa avaliação sobre a Sense Invictus e seus componentes.
Experiencia de Muitos Quilômetros Rodados e Vários Anos Competindo
Costumo ser bem criterioso, cético e técnico em testar bicicletas, e dessa vez não foi diferente. Aposto que alguns amigos tão pensando “chato” aí “né”!
De cara a Sense Invictus full suspension 29 chama muita atenção o quadro de arquitetura bem diferente de qualquer outra. A geometria slooping menos acentuada do que nas demais pode não agradar a todos, mas é certo que a bicicleta se destaca.
Sobressaí nas medidas um entre eixos bastante curto com 1079mm se comparado a outras semelhantes no mesmo tamanho (1118mm – Cannondale Scalpel, 1103mm Specialized Epic WC e 1127,7 Scott Spark RC).
Um ângulo do Tubo do selim acentuado com 74º e a curta caixa de direção (91,3mm) com ângulo não tão relaxado com 71,5º. O desenho diferente permitiu ao quadro portar 2 caramanholas o que poucas full hoje o fazem (Epic, Scalpel e Cube AMS).
Isto é uma boa vantagem, sobretudo para quem foca em correr maratonas e ultramaratonas.
O Visual da Sense Invictus Chama a Atenção
As cores sóbrias e discretas parecem apenas realçar o visual atraente e inédito. Foi fácil perceber a atenção das pessoas ao passar com esta bicicleta por onde fosse. Os adjetivos Linda, bonita, e as expressões “Nossa”, “Putz” e “Caraca” ecoaram diversas vezes nos pedais que fiz com ela até agora.
Mas houve quem mencionasse a palavra “estranha”. Minha opinião? A Sense Invictus é muito bonita com um visual diferente e exclusivo, passando uma nítida impressão de robustez e fortaleza. Talvez pela proteção em carbono que vai acoplada ao Downtube por onde passam os cabos e conduítes e pelo vigoroso link da balança traseira a palavra “Força” veio na mente.
Nos recursos tecnológicos em nada fica atrás dos frames das grandes marcas. Caixa de direção tapered, Freios post mont (no chain stay!), central Press Fit BB30, Eixo traseiro X12 Thru Axle e dianteiro 15mm, Di2 Compatible, cabeamento interno… Está tudo lá.
O Tubo do Selim para canotes 31,6mm permite o uso tão em voga de retráteis! Alguns vão falar, mas cadê o padrão Boost? De fato. Este novo padrão foi incorporado por diversas marcas no ultimo ano e defende ter vantagens. Mas não é unanimidade sacramentada ainda. E se for apenas para o “uso de pneus mais largos” o Frame Invictus permite pneus até 2.4 tranquilamente, que são mais que suficientes para uma bicicleta de XC/XCM.
Sei que tem alguém pensando aí: “O cabeamento não é interno de verdade”. Acho que 99% dos mecânicos vão agradecer que apenas correm por dentro da proteção do Down Tube, pois une um visual clean a super funcionalidade em facilitar os eventuais trabalhos mecânicos a que toda bike é submetida.
Nos testes inclusive não ouvi barulho algum de atrito ou dos cabos “batendo”.
A Sense Usou o Que a de Melhor em Matéria de Carbono
O chassi é absolutamente todo em Carbono bem como o robusto link, o que é diferencial em bikes com padrão de configuração nas demais marcas os similares, via de regra, tem a balança, ou parte dela, em alumínio. É composto com as fibras Toray 800 e Mitsubichi Rayon 40 que são das melhores existentes na indústria ciclística.
Na sua construção foi utilizado o método CNT – Carbon Nano Technology. Pra não ficar grande demais este texto quem desejar dá um Google aí pra saber detalhes. A balança adota links anti pumping e um sistema chamado Cinematik que a faria mais eficiente em todas as condições de uso segundo a fabricante, não desperdiçando a força da pedalada e ao mesmo tempo filtrando com leitura precisa as irregularidades do terreno. Confesso, quando li isso pensei “duvido”, todas dizem isso.
Detalhes e Cuidados com a Apresentação do Produto
Com a Sense Invictus veio uma bonita caixa contendo o manual principal completinho em português com o mapa de torques inclusive, os manuais das suspensões e outros componentes. Certificado de montagem com o nome e assinatura do funcionário que a montou, termo de garantia com 3 anos para o quadro e variável para os componentes de acordo com seus fabricantes.
Um jogo extra de parafusos e buchas dos links da balança - show heim!. Um cartão tipo de crédito com os dados da bicicleta, e outros pormenores.
Críticas ou Considerações
Vem sem pedais. Coloquei um par de XT 8000. Já sei Ahhhh mimimi Xerife, todas as bikes novas vem sem pedais. De fato a maioria. O que eu acho um absurdo. Agente consegue pedalar uma bike sem um dos freios (alguns galácticos até sem os dois), com canote caído, completar uma etapa do Ride sem selim. Com câmbio gangrenado, uma etapa do Warm Up com pneu furado colado no aro. Até com guidão quebrado depois de ser atropelado (aconteceu comigo na Maratona de Marilândia 2013)! Mas sem pedais não saímos do lugar. Essa postura deveria ser revista por todas as marcas ou pelas lojas. Esta é a singela opinião deste Xerife! Já pensou você comprar um carro e ele vir sem o pedal do acelerador?
O Chain Stay vem sem proteção para os inevitáveis impactos da corrente ao trepidar nas descidas e rock gardens malucos, o que é decepcionante para uma bicicleta de qualquer padrão, quiçá uma TOP como a Sense Invictus. Instalei de cara uma fita tipo carbon armor.
O site da marca diz que ela pesa original 10,7kg… Sem chance. A minha é a de menor tamanho (17) então não tem desculpa. Na minha balança (com selo do INMETRO) acusou 11,37 kg sem pedais! Talvez sejam as benditas câmeras de ar vai saber…
O Sistema de Suspensão
A suspensão e o shox são da consagrada marca Dt-Swiss modelos OPM Open Lock 29” 100MM e X313 ODL respectivamente, dotadas de trava simultânea de Doble stage, Travada ou livre.
Os cubos das rodas e raios (28 em cada roda) são igualmente da DT Swiss (cubos 370 Centerlock), os aros são os Sentec Race 29 os quais eu não conhecia.
A Relação da Bike
O Modelo veio de fábrica com Grupo Shimano XT 8000 1x11 completo, inclusive os freios e corrente CN-HG701. Pé de vela com coroa de 32 dentes e o cassete com 11 velocidades 11-42.
Não é a configuração mais adequada para as provas de minha especialidade (Maratonas), mas para o XCO se mostra completamente acertada, enfim, devo alterar isso logo em breve para uma coroa 34 com cassete 11-46 ou manter o cassete e passar para 2 coras 26/36.
Os Periféricos da Sense Invictus
Do cockpit são da Ritchey linha WCS Trail de alumínio. Não são tão leves, mas estão aptos a encarar as mais severas condições do mountainbike.
O Selim é um Selle San Marco Squadra que se mostrou confortável, apensar de um pouco pesado (260g). Vale citar a manopla da própria Sense muito ergonômica e de boa pegada que mesmo sem parafuso de prisão não girou em nenhum instante nos testes.
Pneus Vittoria Mezcal 29 x 2,25 TNT de “índole” Xc Race Dry conditions com desenho de relevo central em linha quase contínua que favorece a rolagem. Semi bordo em V pouco espaçado e birros laterais de leve proeminência, o que deixou a banda de rodagem bem ampla. Não é leve – 690g – mas bem reforçado e se destaca a lateral em tom cinza que ficou bem “race style”. Vieram com câmera de ar e assim os testei.
Ajustando a Máquina Para os Teste de Campo
Os primeiros 2 pedais fiz com a Sense Invictus na configuração completamente original, tendo apenas colocado a mesa WCS com 90mm e 6º na posição mais baixa possível e com ângulo negativo, o que não permitiu encaixar meu fit 100%, mas deu pra perceber que a Sense Invictus bike era bem reativa e tinha bom controle nas descidas, mas a posição não estava confortável nem ideal. Parti para as mudanças necessárias ao ajuste postural.
Ajustes Para o Meu Bikefit
- Troquei a mesa original para uma KCNC com -17º e 90mm;
- Guidão de 720mm para um MCFK reto de 660mm;
- Canote para um KCNC Ti Pro Lite 8000 Scandium com off set zero - o original com 2cm de recuo tornava impossível ajustar a posição ideal no Bike Fit;
- Selim para um Speedneedle Alcântara.
Estes Ups além de adequar a postura reduziram quase 600g de peso na bicicleta.
Mais pedais teste, agora bem encaixado na bike, com algumas variações de pressão e ajuste de rebound das suspensões e troquei os pneus algumas vezes para fazer uma comparação em especial que descreverei mais a frente.
Procurei andar em todo tipo de terreno. Os single tracks do Parque na Fonte Grande, estradões lisos e rugosos de Queimado, subidas longas de Viana no Túnel da Alegria e Cariacica, calçamentos da ilha do Frade. Enfim. Alguns RPs no Strava apareceram…
Uma Máquina Surpreendente
À medida que passavam os quilômetros aumentava o sorriso. A Sense Invictus surpreendeu positivamente bem mais do que a minha cética expectativa podia esperar.
Sem dúvida alguma é a full suspencion mais competente em subidas que já testei, provavelmente pelo ângulo da caixa de direção menos complacente (71,5º), pelo curto entre eixos, pelo sistema de travas simultâneas que acionadas deixam a mesma como uma rígida e pelo baixo peso, que ainda pretendo reduzir passando os pneus para uso Tubelles.
Nas subidas acidentadas pude encarar com a trava liberada, pois as suspensões fizeram bonito sem grandes furtos de transferência de potência, principalmente pedalando sentado, mas mesmo em pé não senti prejuízo significativo, somente aparecendo este em solo completamente liso e regular.
A Sense Invictus Full Supension também sobressaiu na manobrabilidade em curvas travadas, na estabilidade em terrenos de inclinação lateral e segurança nas curvas abertas de alta velocidade.
A bicicleta é bem equilibrada e neutra, não tem tendência a “escapar de traseira” ou “sair de frente”. Nas descidas mais técnicas passa excelente segurança, parece até que a suspensão possui mais que os 100mm declarados, apresentando comportamento progressivo, o que lembra bastante a Lefty que sou fã, tendo boa rigidez provavelmente face o eixo 15mm. Não deu fim de curso ou “pancada seca” em nenhuma ocasião.
Achei bem legal a facilidade de lembrar a calibragem ideal: peso do rider + 10. Ou seja. Eu com 67kg atualmente calibro com 77 libras, fácil. Já a regulagem do Shox é pelo SAG bem no protocolo “old style” e deu um pouco de trabalho ficar subindo, bombeando e descendo, mas valeu. 20mm a 10mm dependendo do estilo de pilotagem e tipo do terreno a ser encarado. Usei 15mm e o comportamento ficou muito bom em todas as situações.
E o Tal Anti Pumping e o sistema Cinematik?
Meu “dúvido” anterior quanto aos links anti pumping e o tal sistema Cinematik “sobrou de roda”, o trem funciona!
No plano pode andar tranqüilo com a trava liberada e travar somente em trecho de “alcatrão ó pá” ou estradão bem regular. E a rigidez lateral do conjunto é absurda; por vezes me percebi forçando a bicicleta em sprints tentando provocar uma mínima torção e nada.
Desmontei os links todos pra ver os detalhes e a coisa só melhorou. Os links traseiros possuem 2 rolamentos com um slot conjugado divididos por um minimalista anteparo de carbono, coisa fina de se ver, digna de agradar até ao meu amigo Mestre Yoda das mecânicas ciclísticas Rodrigo Yamagushi “guru” em detectar quando um recurso técnico tem proeza ou “lambança”.
Descrevendo o Conjunto
Passador Traseiro Shimano XT 8000
A relação é precisa, suave e confiável sendo que a corrente não caiu uma vez sequer, embora balance um pouco com a chave do sistema Shadow RD+ na posição OFF, a qual permaneceu quase 100% dos testes. Quando na posição ON que severa a tensão do cage a corrente simplesmente não “bate” nunca, porém a passagem de marchas perde a típica suavidade by Shimano.
Embora nesta configuração 1 x 11 não vá atender a 100% dos atletas em 100% das situações demonstrou funcionalidade perfeita e não houve subida que eu precisasse empurrar, mas isso obviamente depende do padrão de pernas de cada um.
Para os que conhecem, subi o single da Fonte Grande via fradinhos e a bicicleta o encarou com maestria facilitando zerar a escalada. Em contrapartida em planos e falsos planos descendo o “giro” explodiu; aos 42-43 km/h a cadência entra no patamar dos 3 dígitos e para os ciclistas que não estiverem com o treino neuromuscular em dia vai doer manter velocidades acima destas, o que pode prejudicar nos ataques e fugas típicos de uma XCM.
Os freios
XT 8000 com rotores Ice Tech de 160mm beiram a perfeição, sem perca alguma de eficiência mesmo em descidas longas e exigentes tem uma ergonomia e modulação fantásticas.
As Rodas
As rodas ultra-light SENTEC tubeless-ready foram irrepreensíveis nestes mais de 500km. Com 1580g o par, cubos e raios DT-Swiss não era de esperar outra coisa além de excelente performance. O aro Sentec Race que eu desconhecia igualmente se portou muito bem, atentando aqui a todos que o mesmo em suas especificações técnicas acusam a limitação de uso para atletas com até 90kg.
Para aqueles que estão acostumados a comprar uma bike e já meter um par de rodas leves e TOPs como primeiro upgrade terão de selecionar as mais galácticas para que realmente valha a pena essa alteração.
Os Pneus
Pneus Vittoria Mezcal TNT 29 x 2.25. Na boa, estes pneus merecem um capitulo a parte. De tudo nesta bicicleta foram isoladamente o item que mais me impressionaram, sobretudo porque rodei até agora os utilizando com câmera de ar.
Calibrados com 32 libras na traseira e 28 na dianteira eu esperava alguma perda de tração e umas escapadas em curvas e manobras, mas nem tchum.
No plano rolam muito fácil tanto quanto os Continental Race King. Uma tração cabulosa em todas as situações bem no estilo Racing Ralph. Nas curvas parecem ter dentes de sabre não escaparam mesmo quando dei umas bobeiras absurdas, numa delas eu tinha certeza que ia “comprar um terreno”, e nada!
Inclusive peguei chuva e uma descida técnica bem encharcada. Frenagem, facilidade de direcionamento, grip em curva com cascalho solto, simplesmente o pneu foi perfeito, ainda mais que sem estar usando líquido selante tive zero furo. Nos testes substitui estes por vários outros modelos em alguns dias, mas nenhum se aproximou da performance deste pneus, virei fã e fui pesquisar suas características técnicas etc.
Descobri que na sua fabricação são utilizadas várias “tecnologias” comuns aos outros top race tires, porém usa uma substancia que desconheço em outros pneus, o Grafeno. O fabricante denomina componente G+(Graphene Plus) que alegam ter 200 vezes mais resistência mecânica que o aço sendo 6 vezes mais flexível e bem mais leve.
Com 1 grama se pode fazer uma finíssima nano manta e cobrir uma superfície com 2,6 metros quadradosl. Bom vai ver é isso. O que posso afirmar é que o pneu é muito bom mesmo e a Sense foi muito feliz na sua escolha, foi deveras acertada.
Agora entendo claramente o largo sorriso e a nítida felicidade do Alexandre Bicudo Brou Aventuras que correu a Brasil Ride 2016 a bordo de uma Sense Invictus.
Sense invictus Full Suspension 29 Aprovada?
Para o conceito que a Sense Invictus foi proposta a bicicleta está no meu entender aprovada com louvor!
Proporcionando um desempenho de alto nível vindo com uma configuração de peças e periféricos muito bem equipada para encarar qualquer tipo de competição no universo XC, XCO e XCM e dependendo do talento do rider (que não é o meu caso) de encarar até um All Mountain menos agressivo pela excelência no funcionamento das suspensões. Bem galera embora ache que fui minucioso o bastante no teste fico a disposição para perguntas e dúvidas.
Agradeço a moral que me deram o Tião e o Marcone.
Abração e uma temporada 2017 recheada de emoções e vitórias.
Éverton “Xerife” Siqueira
Atleta Master B1 (Sub45)
Tri-Campeão Estadual (ES) de MTB (2013/14/15)
Campeão do Iron Biker Brasil 2014
Líder do Ranking Nacional de MTB Marathon 2014
Vice Campeão Brasileiro de MTB Marathon 2014
Vice Campeão do Brasil Ride Warm Up 2015
3º Colocado no Rally Cerapió 2013
Campeão do Warm Up Rei da Montanha 2013