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Substâncias Dopantes no Ciclismo Profissional e Amador

O ciclismo tem um histórico marcado por casos de doping tanto no nível profissional quanto amador. Mundialmente, é um dos esportes com maior número de resultados positivos em controles antidoping – em 2017 ficou atrás apenas do atletismo em ocorrências de doping.

Infelizmente, a prática não se restringe à elite: há inúmeros casos entre ciclistas amadores, inclusive no Brasil. Como observou um especialista, no ciclismo “acontece muito mais no amador do que no profissional”, o que torna o problema uma verdadeira “praga” no esporte[1].

Doping amador: o lado oculto do ciclismo de fim de semana.

Muitos ciclistas recreativos e máster têm usado substâncias dopantes. Casos documentados incluem atletas pegos em granfondos nos EUA, Itália, Brasil e até campeões de provas de endurance fonte: VeloNews.

ciclismo é hoje um dos esportes com maior incidência de doping, atrás apenas do atletismo em número de casos positivos, segundo a WADA (Agência Mundial Antidoping) fonte: WADA Testing Figures 2017.

A seguir, listamos alguns casos emblemáticos de doping no ciclismo e as substâncias proibidas mais comuns identificadas nos últimos anos, tanto em competições de estrada quanto de mountain bike (MTB), abrangendo exemplos de atletas brasileiros e de nível mundial.

Casos Emblemáticos de Doping no Ciclismo

  • Lance Armstrong (EUA) – Sete vezes vencedor do Tour de France, tornou-se o caso de doping mais famoso do ciclismo. Em 2012, foi banido pela UCI após investigações comprovarem o uso sistemático de EPO (eritropoietina), transfusões de sangue e outros agentes dopantes, perdendo todos os seus títulos[2]. O caso Armstrong expôs um esquema de doping em larga escala em sua equipe e marcou a história do esporte.

  • Alberto Contador (Espanha) – Campeão de múltiplas Grandes Voltas, foi pego no antidoping por clenbuterol (um beta-2 agonista com efeito anabolizante) durante o Tour de France de 2010. Ele alegou contaminação alimentar, mas acabou sendo suspenso por 2 anos e perdeu o título do Tour de 2010 devido ao teste positivo[3]. O episódio sublinhou os riscos de substâncias como clenbuterol, usadas para queima de gordura e melhora de desempenho.

  • Floyd Landis (EUA) – Venceu o Tour de France 2006 em circunstâncias dramáticas, mas logo após a prova testou positivo para testosterona sintética (um esteroide anabolizante). Landis foi destituído do título e suspenso, tornando-se um dos poucos casos em que um campeão de Tour foi desclassificado no pós-prova por doping[4]. O caso evidenciou o uso de esteroides para aumentar força e acelerar recuperação muscular.

  • Jarlinson Pantano (Colômbia) – Ex-ciclista WorldTour e vencedor de etapa do Tour, Pantano foi flagrado em 2019 com EPO recombinante em um exame fora de competição. Ele foi imediatamente afastado pela equipe e posteriormente banido por 4 anos pela UCI[5]. O caso Pantano mostra que, embora em menor escala que no passado, a dopagem com EPO ainda persiste no pelotão internacional recente.

  • Kleber Ramos (Brasil) – Ciclista de estrada brasileiro, integrante da equipe Funvic, testou positivo para CERA – uma forma de terceira geração da EPO – em 2016, poucos dias antes dos Jogos Olímpicos do Rio. Kleber foi suspenso por 4 anos e ficou fora da Olimpíada[6]. Esse caso ganhou destaque nacional por envolver o então campeão brasileiro de estrada prestes a competir em casa, ilustrando que as mesmas substâncias de ponta usadas lá fora também apareciam no ciclismo brasileiro.

A expansão silenciosa do doping

O ciclismo é hoje um dos esportes com maior incidência de doping, atrás apenas do atletismo em número de casos positivos, segundo a WADA (Agência Mundial Antidoping) fonte: WADA Testing Figures 2017. No entanto, há um dado ainda mais preocupante: embora as atenções midiáticas se voltem ao pelotão profissional, especialistas já admitem que o problema se tornou mais grave no nível amador.

De acordo com investigação do portal Lance!, “no ciclismo, acontece muito mais no amador do que no profissional” fonte: Lance! 2019. Entre atletas máster, praticantes recreativos e competidores de granfondos, cresce o uso deliberado de EPO, esteroides e SARMs — muitos obtidos de forma clandestina, sem qualquer controle médico.

Substâncias Dopantes Mais Comuns no Ciclismo

Diversas classes de substâncias proibidas têm sido utilizadas para melhorar a performance no ciclismo de estrada e MTB. Com base nos casos de doping, especialmente dos últimos 10 anos (no Brasil e no exterior), destacam-se as seguintes:

  • Eritropoietina (EPO) e dopagem sanguínea: A EPO e métodos relacionados (como transfusões de sangue e análogos tipo CERA) são os agentes dopantes mais associados à melhora de resistência. A EPO estimula a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos, aumentando o transporte de oxigênio pelo sangue e melhorando significativamente a performance aeróbica[7].

Por seu alto impacto, o uso deliberado de EPO resulta em suspensões de 4 anos em caso de detecção[8]. Esse hormônio sintético foi central no escândalo de Lance Armstrong[2] e continua presente em casos modernos – por exemplo, o colombiano Jarlinson Pantano foi suspenso justamente por EPO em 2019[5].

No Brasil, atletas como Clemilda Fernandes (estrada) já foram flagrados por EPO no passado, e irregularidades no passaporte biológico de ciclistas (indicando doping sanguíneo) têm levado a banimentos de vários nomes nacionais[9].

Vale notar que a dopagem sanguínea aumenta viscosidade do sangue e sobrecarrega o coração, acarretando sérios riscos à saúde cardiovascular[10].

  • Esteroides Anabolizantes (ex.: testosterona) e SARMs: Substâncias anabólicas são usadas para ganhar massa muscular, potência e acelerar a recuperação física – benefícios importantes especialmente em provas com subidas explosivas ou sprints.

A testosterona sintética e derivados (como stanozolol ou boldenona) já figuraram em casos de ciclismo, embora em menor proporção que em esportes de força. Um caso famoso foi o de Floyd Landis, pego com testosterona exógena após vencer o Tour 2006[4].

Nos anos recentes, surgiram também os SARMs (Moduladores Seletivos de Receptor Androgênico), substâncias que imitam efeitos anabólicos dos esteroides porém teoricamente com menos efeitos colaterais. Um exemplo brasileiro foi o do ciclista de pista Kácio Freitas, cujo exame antidoping nos Jogos Pan-Americanos de 2019 acusou um SARM – resultando em suspensão provisória e possível perda de medalha[11].

Tanto os anabolizantes tradicionais quanto os SARMs são proibidos e podem levar a ganhos ilícitos de força/resistência, desequilíbrios hormonais e danos hepáticos nos atletas que os utilizam.

  • Estimulantes e narcóticos (anfetaminas, cocaína, etc.): Substâncias estimulantes já foram amplamente utilizadas desde as primeiras décadas do ciclismo competitivo para reduzir a fadiga e aumentar o estado de alerta.

Historicamente, ciclistas consumiam anfetaminas abertamente para aguentar longas etapas, e esse abuso causou tragédias como a morte de Tommy Simpson em 1967. Hoje, estimulantes fazem parte da lista proibida em competição: eles elevam temporariamente a energia, o foco e diminuem a percepção de esforço ou dor, oferecendo vantagem indevida.

Casos modernos incluem tanto drogas recreativas quanto compostos de queima de gordura. No Brasil, por exemplo, o promissor ciclista Caio Godoy foi suspenso por 4 anos após testar positivo para cocaína em 2018[12].

Já a atleta Flávia Paparella, top do ranking nacional, foi flagrada em 2018 pelo uso de higenamina, um estimulante/broncodilatador presente em suplementos para perda de peso – ela cumpriu 6 meses de gancho pelo ocorrido[13].

Também são relevantes os analgésicos narcóticos: o Tramadol, embora não conste na lista da WADA, foi banido pela UCI por seus riscos e efeito potencial de máscara da dor. Em 2022, o colombiano Nairo Quintana perdeu seu 6º lugar no Tour de France ao ser desclassificado por resultado positivo para Tramadol[14].

Esses exemplos mostram que estimulantes (ilícitos ou em medicamentos) continuam presentes nos testes, e seu uso acarreta suspensões, além de efeitos colaterais como dependência, problemas cardíacos e neurológicos.

  • Hormônio do Crescimento (hGH) e peptídeos hormonais: O hGH e substâncias correlatas (como IGF-1 e peptídeos que estimulam a liberação de hormônio do crescimento) figuram entre os dopantes visando melhora de recuperação e composição corporal.

Esses agentes promovem aumento de massa magra, redução de gordura e potencial melhoria da resistência aeróbica[15]. No ciclismo, seu uso é notoriamente difícil de detectar – não há muitos flagrantes diretos de hGH, mas investigações indicam que fez parte de esquemas de dopagem (inclusive no caso Armstrong).

Nos últimos 10 anos, um caso de destaque foi do espanhol Samuel Sánchez (campeão olímpico de 2008), pego em 2017 com GHRP-2, um peptídeo sintético que estimula a liberação de hormônio do crescimento[16]. Sánchez foi suspenso e perdeu sua vaga na Vuelta a España daquele ano.

Embora menos comuns que EPO ou anabolizantes, os hormônios de crescimento e análogos continuam na mira das autoridades antidoping, pois oferecem vantagens ilícitas em recuperação muscular e desempenho de longo prazo, ao custo de possíveis desajustes metabólicos (diabetes, acromegalia, etc.).

  • Beta-2 agonistas (broncodilatadores como clenbuterol e salbutamol): Originalmente desenvolvidos para asma, alguns beta-2 agonistas têm efeito anabólico leve e melhora na capacidade respiratória.

O clenbuterol, em particular, vem sido usado como agente para aumentar definição muscular e resistência – porém é proibido. A detecção de clenbuterol levou à suspensão de Alberto Contador em 2010, um caso emblemático já mencionado[3].

Apesar de alegações de carne contaminada, ficou provado que mesmo traços da substância acarretam punição, dada sua proibição estrita. Já o salbutamol (medicação comum para asma) é permitido somente em doses limitadas; em excesso, conta como doping. Houve controvérsias envolvendo resultados analíticos adversos de salbutamol em grandes voltas (por exemplo, uma amostra de Chris Froome em 2017 excedeu o limite, embora ele tenha sido exonerado após processo).

O fato é que beta-2 agonistas podem melhorar a performance aeróbica de ciclistas com ou sem asma, e por isso seu uso é controlado. Qualquer nível acima do autorizado ou sem autorização terapêutica resulta em violação – alguns ciclistas menos famosos já foram punidos por isso ao longo da última década.

  • Diuréticos e agentes mascarantes: Por fim, vale citar as substâncias utilizadas não tanto para ganho direto de desempenho, mas para mascarar o uso de outros doping ou manipular o peso.

Diuréticos como furosemida são proibidos porque podem diluir a urina e dificultar a detecção de anabolizantes e EPO, além de ajudarem atletas a perder peso rapidamente antes de subidas. Diversos esportistas (inclusive ciclistas) já caíram no doping por diuréticos presentes em medicamentos ou suplementos “contaminados”.

Outros agentes mascarantes incluem moduladores hormonais e até métodos físicos de adulteração de amostras. No Brasil, por exemplo, houve casos de ciclistas eliminados em campeonatos masters por fugirem do controle antidoping – evidência de que alguns amadores recorrem a artifícios ilícitos e preferem se ausentar a serem pegos[17].

Também os glicocorticoides (corticóides) merecem menção: embora permitidos com restrições, seu uso abusivo como doping (para diminuir inflamação e peso) vem sendo combatido, a ponto de a UCI estudar banir completamente corticosteróides sem prescrição.

Em suma, essas substâncias “auxiliares” compõem um repertório de doping voltado a encobrir ou potencializar os ganhos ilícitos obtidos com os agentes principais listados acima.

Substâncias Dopantes no Ciclismo

O ciclismo tem um histórico marcado por casos de doping tanto no nível profissional quanto amador. Mundialmente, é um dos esportes com maior número de resultados positivos em controles antidoping – em 2017 ficou atrás apenas do atletismo em ocorrências de doping.

Infelizmente, a prática não se restringe à elite: há inúmeros casos entre ciclistas amadores, inclusive no Brasil. Como observou um especialista, no ciclismo “acontece muito mais no amador do que no profissional”, o que torna o problema uma verdadeira “praga” no esporte[1].

As 10 substâncias mais detectadas no ciclismo (profissional e amador)

A seguir, uma lista baseada nos relatórios da WADA e bancos de dados de violações como Anti-Doping Database e UCI Sanctions.

  1. Eritropoietina (EPO)
  • Categoria: Hormônio peptídico

  • Efeito: Aumenta glóbulos vermelhos e resistência

  • Casos: Mais de 150 desde 2015

  • Referência: WADA

  1. Testosterona
  • Categoria: Esteroide anabólico

  • Efeito: Força, recuperação, potência

  • Casos: Floyd Landis, entre outros

  • Referência: USADA

  1. Estanozolol
  • Categoria: Esteroide anabólico

  • Efeito: Ganho de força e massa magra

  • Casos: Comum em atletas máster brasileiros

  • Referência: ABCD

  1. Clenbuterol
  • Categoria: Beta-2 agonista

  • Efeito: Queima de gordura e resistência

  • Casos: Contador, diversos másters

  • Referência: The Guardian

  1. Ostarina (SARM)
  • Categoria: Modulador seletivo de androgênio

  • Efeito: Força e recuperação muscular

  • Casos: Kácio Freitas (BRA)

  • Referência: USADA Alert

  1. Nandrolona
  • Categoria: Esteroide anabólico

  • Efeito: Hipertrofia e força

  • Casos: Diversos amadores

  1. Ligandrol (LGD-4033)
  • Categoria: SARM

  • Efeito: Massa muscular sem retenção

  • Casos: Amadores nos EUA e Brasil

  1. Boldenona
  • Categoria: Esteroide veterinário

  • Efeito: Massa, apetite, potência

  1. Diuréticos (ex: furosemida)
  • Categoria: Mascarantes

  • Efeito: Diluição urinária, perda de peso

  1. GW501516 (Cardarina)
  • Categoria: Modulador metabólico

  • Efeito: Queima de gordura, resistência

  • Risco: Potencial cancerígeno

  • Referência: WADA Warning

Doping amador: o lado oculto do ciclismo de fim de semana

Muitos ciclistas recreativos e máster têm usado substâncias dopantes. Casos documentados incluem atletas pegos em granfondos nos EUA, Itália, Brasil e até campeões de provas de endurance fonte: VeloNews.

Por que os amadores dopam?

  • Vaidade esportiva

  • Desempenho competitivo em máster

  • Falta de controle antidoping em provas locais

  • Crença de que “não serão pegos”

Substâncias mais comuns entre amadores:

  • EPO de farmácia ou veterinária

  • SARMs (Ostarina, Ligandrol)

  • Testosterona bioidêntica (via clínicas anti-idade)

  • Clenbuterol (comercializado como “fat burner”)

Em 2017, uma prova amadora na Espanha viu 130 ciclistas abandonarem a corrida após saberem que haveria controle antidoping surpresa fonte: CyclingTips. No Brasil, relatos de fuga do antidoping em campeonatos estaduais e masters têm crescido.

Os riscos do doping são reais — e graves

O uso não supervisionado de substâncias como EPO, testosterona e clenbuterol pode levar a:

  • Infarto e AVC

  • Lesões hepáticas e renais

  • Supressão hormonal

  • Câncer (no caso de GW501516)

  • Psicose, dependência química, colapso renal

Segundo estudos médicos, usar EPO sem indicação pode triplicar o risco de trombose e é especialmente perigoso para indivíduos com pressão alta ou histórico familiar de eventos cardíacos fonte: European Journal of Cardiology.

Em conclusão, os casos dos últimos anos demonstram que as substâncias dopantes mais usadas no ciclismo – como EPO, anabolizantes, estimulantes e hormônios – permanecem atuantes tanto no cenário internacional quanto no nacional.

A luta antidoping continua intensa: equipes inteiras já foram suspensas por esquemas organizados (caso da equipe portuguesa W52-FC Porto em 2022)[18], e a Confederação Brasileira de Ciclismo tem aumentado os testes e programas educacionais para coibir o doping doméstico[19][20].

Seja no Tour de France ou em provas amadoras de MTB, o uso de substâncias proibidas compromete a integridade do esporte e a saúde dos ciclistas, cabendo às entidades esportivas manter vigilância e punição rigorosa para desestimular essas práticas ilícitas.

Fontes: Lance!, Globo/GE, Reuters, The Guardian, CyclingWeekly, entre outras.[21][3][6][5][12]

[1] [2] [6] [7] [8] [10] [11] [12] [13] [17] [19] [20] [21] Ciclismo brasileiro tem 33 suspensos e tenta se livrar da praga do doping

[3] [4] Alberto Contador gets two-year ban and stripped of 2010 Tour de France | Alberto Contador | The Guardian

[5] Cycling: Pantano handed four-year ban following positive anti-doping test | Reuters

[9] Ciclista brasileira Isabella Lacerda é suspensa por quatro anos por doping | zona da mata centro-oeste | ge

[14] [18] 29 cases of alleged doping recorded in cycling in 2022, but only one at WorldTour | Cycling Weekly

[15] [16] Samuel Sánchez withdrawn from Vuelta a España after failing drug test | Cycling | The Guardian

Edu Cara de Barro
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Edu Cara de Barro

Um pouco cansado disso... Não das histórias, da vivência e do esporte. Mas do que o mercado se tornou. Sigo firme em meu proposito de "Criar Histórias e Experiências Positivas com a Bike" como um ciclista, escritor e desgourmetizador de pedal.