Levantamento realizado pela Aliança Bike aponta produção e importação de mais de 40 mil e-bikes em 2021 e projeção de crescimento de pelo menos 22% em 2022

A bicicleta elétrica vem ganhando terreno ano após ano no Brasil. Seja nas ruas, trilhas, estradas e nas notícias relacionadas ao mercado e aos benefícios dela para toda sociedade. O ano de 2021 manteve esse histórico recente: a movimentação financeira de bicicletas elétricas no Brasil chegou a R$ 289,3 milhões, crescimento de 52,2% em relação ao ano de 2020.

Não por acaso, o país também registrou recorde em unidades comercializadas. Em 2021, foram 40.891 unidades de e-bikes, entre produção e importação, representando um volume 27,3% superior ao ano anterior, que já havia sido o mais alto até então.

Os dados são da Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), contemplando três fontes distintas: a base Siscori, da Receita Federal; monitoramento de associados da Aliança Bike; e dados de produção no Polo Industrial de Manaus, da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). Clique aqui para baixar o Boletim de Bicicletas Elétricas completo.

“São resultados muito relevantes, já que a bicicleta elétrica é importantíssima em diversos aspectos. Para a mobilidade urbana, porque é inclusiva e pode também desafogar o trânsito; e também na questão econômica, pois o mercado de e-bikes já é o que mais cresce no mundo. Economicamente pode ser estratégico para o Brasil incentivar o uso de bicicletas elétricas, criando divisas importantes para o crescimento do país. Acredito que as elétricas representarão a maior fatia do mercado de bicicletas nos próximos 10 anos”

explica Felipe Praça, coordenador do Grupo de Trabalho de Bicicletas Elétricas da Aliança Bike. 

Em 2021, o pico de bicicletas elétricas produzidas e importadas aconteceu no mês de outubro, com 5.225 unidades. Mês a mês, assim se comportou o mercado de elétricas em 2021:

Janeiro: 3.517 unidades

Fevereiro: 3.830 unidades

Março: 2.355 unidades

Abril: 2.795 unidades

Maio: 3.546 unidades

Junho: 2.393 unidades

Julho: 3.372 unidades

Agosto: 4.862 unidades

Setembro: 3.826 unidades

Outubro: 5.225 unidades

Novembro: 1.693 unidades

Dezembro: 3.476 unidades

Raio-x do mercado de elétricas no Brasil

Além do expressivo aumento de movimentação financeira e também em unidades vendidas, 2021 apresentou um cenário diferente de anos anteriores. No ano passado, empresas que importam componentes e realizam a montagem de bicicletas elétricas no Brasil representaram 61% deste mercado – crescimento de 35% em relação ao período anterior.

Do total de bicicletas elétricas comercializadas em 2021, 15.963 foram importadas inteiras, enquanto que 24.955 foram montadas no Brasil. Das e-bikes montadas no Brasil, 10.294 foram produzidas no Polo Industrial de Manaus, enquanto que 14.661 foram produzidas fora do Polo.

De acordo com o levantamento realizado pela Aliança Bike, o preço médio das bicicletas elétricas em 2021 foi calculado em R$ 7.075,71 – acréscimo de 20% em relação ao número de 2020. Além dos consumidores procurarem por e-bikes com maior valor agregado, outros pontos que podem explicar esse acréscimo são a alta do dólar e o aumento do frete marítimo.

A Aliança Bike iniciou o monitoramento do mercado de bicicletas elétricas no Brasil no ano de 2016. Nestes 6 anos, já foram colocadas em circulação mais de 135 mil bicicletas elétricas no país.

Histórico do mercado de bicicletas no Brasil, em unidades:

2016: 7.600

2017: 7.200

2018: 22.500

2019: 25.000

2020: 32.110

2021: 40.891

Vitórias na tributação das bicicletas elétricas

As expectativas para o mercado brasileiro de bikes elétricas são boas para 2022. Em um cenário mais conservador, considerando o crescimento orgânico dos últimos anos, o segmento deve chegar a uma alta de 22%, alcançando 49,8 mil unidades. Em um cenário mais otimista apontado pelas principais empresas deste mercado, o crescimento seria de 50%, totalizando 61,3 mil unidades neste ano de 2022.

Paralelamente aos números do mercado, o ano de 2022 começou com boas notícias em relação à tributação das e-bikes – apontada por especialistas e pessoas do mercado como um dos principais empecilhos para a popularização deste modelo de bicicletas. Foram duas conquistas importantes:

1) a primeira se refere exclusivamente ao estado de São Paulo, que excluiu as bicicletas elétricas do regime de substituição tributária do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A mudança veio a partir de um pedido da Aliança Bike feito em 2019, que agora trabalhará para obter esta mudança igualmente em outros estados;

2) em novo pleito apresentado pela Aliança Bike, o Ministério da Economia decidiu favoravelmente à redução do imposto de importação para motores de bicicletas elétricas, de 18% para 0%. A decisão do governo brasileiro será comunicada aos demais países do Mercosul, que terão até 90 dias para se manifestar. Após esse período, a redução tarifária terá validade por 365 dias (com possibilidade de prorrogação por igual período) e terá quantitativos preestabelecidos. No caso dos motores, foi aprovada a quantia de 120 mil motores pelo período de 1 ano.

Ainda não é possível dizer qual será o impacto das medidas no valor das bicicletas elétricas. O que se sabe é que, até este momento, os impostos relacionados às e-bikes alcançam 85% do custo – cerca de 10% acima das convencionais.

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Autor

Edu Cara de Barro

Um apaixonado pelo ciclismo e pelas histórias que ele nos permite criar. Pedalando, busco viver experiências que inspiram, conectam pessoas e transformam vidas, sempre guiado pelo lema: criar histórias e experiências positivas com a bike.

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