A bicicleta segue em um momento muito positivo em todo o Brasil. Desde maio, as vendas no país apontam para um crescimento exponencial: em agosto, o aumento foi de 93% se comparado com o mesmo período do ano passado. Os números foram registrados pela Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), em uma pesquisa realizada com mais de 40 empresas associadas à entidade.

Os modelos mais procurados pelos brasileiros, representando aproximadamente 90% do total, são das chamadas bicicletas de entrada, com valores que variam entre R$ 800 e R$ 2 mil. É um tipo de bicicleta utilizada especialmente como meio de transporte no dia a dia, e também para realização de atividades físicas e de lazer.

Estes dados apontam para um processo de migração para a bicicleta, com milhares de brasileiras e brasileiros mudando de hábito e incluindo as “magrelas” em suas vidas.

“Nos últimos meses, a maioria das bicicletas vendidas na minha loja foi para um perfil de ciclista iniciante. O movimento tem sido muito bom, nos últimos quatro meses zeramos o nosso estoque de bicicletas”

sócio da loja Scatt Bikes, de São Paulo-SP.

As vendas do último mês de agosto, entretanto, revelaram um novo dado: a procura por bicicletas de maior valor agregado está em alta. Percentualmente, agosto foi o melhor mês desde o início da pandemia, já que a venda de bicicletas acima de R$ 5 mil representa quase 10% dos modelos vendidos nas lojas de bicicletas.

“A procura por este tipo de bike vem crescendo mês a mês desde maio. Pedalar tem um baixo risco de contaminação neste período de pandemia, tendo a bicicleta, inclusive, sido indicada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como uma atividade a ser estimulada e, consequentemente, um meio de transporte a ser promovido”

explica André Ribeiro, vice-presidente da Aliança Bike.

Outro dado relevante deste levantamento da Aliança Bike diz respeito às bicicletas elétricas. Modelos deste tipo tiveram um crescimento de vendas de 53% em comparação com agosto de 2019.

“O crescimento das vendas das elétricas, desde o início da pandemia, tem sido mais tímido por conta dos valores mais altos delas. Conforme a Aliança Bike mostrou na Revista Bicicletas Elétricas lançada no último dia 3, a projeção de vendas de bicicletas elétricas para 2020 é de 32 mil unidades – número 30% maior em relação a 2019 e alcançando 0,8% do marketshare de bicicletas no país”

complementa André.

Oferta e procura

A alta procura e os atrasos nas entregas de componentes para a montagem das bicicletas – vindos majoritariamente da China – continuam impactando a capacidade de vendas do setor. Lojistas e distribuidores estão buscando alternativas para lidar com os desafios ocasionados pela alta nas vendas.

“Enquanto mais de 34 setores da nossa economia foram prejudicados pela pandemia, o mercado de bicicletas apresentou o maior boom de vendas da sua história. É claro que este momento tem sido muito positivo para o setor, mas temos desafios enormes para conseguir atender a esta demanda. O aumento ocasionou em falta de insumos, peças, embalagens e até mão de obra para atender, mas estamos encontrando soluções”

comentou David Kamkhagi, diretor da Track Bikes. 

Uma das razões para o arrefecimento da curva ascendente de vendas de bicicletas foram as medidas de relaxamento do isolamento social. Ou seja: a reabertura das academias, dos parques e áreas de lazer, por exemplo, também teve impacto direto nas vendas em agosto, que ficaram um pouco abaixo do que o mês de julho – que teve um aumento de 118% em relação às vendas de julho de 2019.

A Aliança Bike estima que no final de 2020 a oferta de bicicletas estará ajustada à demanda, especialmente com a normalização da importação e distribuição de componentes.

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Autor

Edu Cara de Barro

Um apaixonado pelo ciclismo e pelas histórias que ele nos permite criar. Pedalando, busco viver experiências que inspiram, conectam pessoas e transformam vidas, sempre guiado pelo lema: criar histórias e experiências positivas com a bike.

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